Beleza na Gravidez: Pode ou Não Pode?

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Quando engravidamos, mesmo que com um bom planejamento, surgem milhões de dúvidas e preocupações na nossa cabeça. Para mim, uma delas foi: “O que posso continuar usando do meu arsenal de cremes para pele?”

Pois bem. Minha tática foi simples: parei de usar tudo! Haha. Ok. não tudo, mas quase. Você pode conferir os produtos no post sobre cuidados de pele na gravidez.

O post sobre o peeling de cristal da Mary Kay é, de longe, meu post mais acessado. Como sempre recebo perguntas se ele é seguro para usar na gestação, resolvi escrever um pouco sobre ingredientes seguros ou não para uso nesse período. As informações foram obtidas em posts internacionais, em especial esse e esse. Nem todos os componentes tem unanimidade entre médicos devido a falta de estudos. Por via das dúvidas, eu prefiro não usar.

Os componentes mais citados são:

  1. Ácido Retinóico/ Vitamina A: associado a má formação congênita.
  2. Acido Cítrico, Salicílico e Glicólico: embora alguns médicos sejam contra, esses ácidos podem ser utilizados em baixa dosagem, segundo estudos realizados até o ano de 2012.
  3. Ácido Lático: considerado seguro em estudos feitos com animais, mas não há estudos feitos em humanos.
  4. Diidroxiacetona (DHA): presente em autobronzeadores. Não existe consenso sobre o componente. alguns médicos permitem, outros não.
  5.  Ácido kójico: ingrediente de origem natural utilizado em despigmentação, ou seja, clareadores. Não existe estudos que comprovem sua segurança.
  6. Ácido hialurônico: também existe debate entre os especialistas no assunto, mas é considerado seguro por muitos devido ao tamanho da molécula. Inclusive, encontrei até um médico que afirma que é um aliado da beleza na gestação devido ao seu grande poder hidratante. Eu fiquei surpresa pois em uma palestra, um médico afirmou que o alto nível desse ácido no organismo faria com que a bolsa amniótica rompesse, mas não encontrei essa informação em lugar algum… Eu tenho produtos com o ingrediente e deixei de usá-los na gestação, mas agora fiquei confusa!
  7. Vitamina C: utilizado como clareador, não encontrei contra-indicação. Pelo contrário. O mesmo médico que afirma que ácido hialurônico é um aliado, inclui a Vitamina C na sua lista!
  8. Parabenos: estudos indicam que parabenos podem interferir no sistema hormonal, logo, não são indicados de forma alguma, principalmente nesse momento em que os hormônios atuam de maneira peculiar…
  9. Tolueno: associado a problemas de ordem neuronal e celular.
  10. Formaldeído: associado a problemas reprodutivos e de desenvolvimento, além de câncer.
  11. Oxibenzeno: associado a problemas de desenvolvimento e interferência no sistema hormonal.

😉

P.S.: Mais sobre gravidez? Pele, Cabelos e Corpo; O Primeiro Trimestre.

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Revisitando: Kit Microdermoabrasão TimeWise, Mary Kay

Desde que escrevi o post Kit Microdermoabrasão TimeWise – Mary Kay, há quase dois anos, ele tem sido o mais visitado e mais comentado do blog. Eu já não trabalho mais com a marca, mas até hoje respondo perguntas sobre o produto. Com isso, resolvi compilar nesse novo post as perguntas mais frequentes até o momento. Para ver o post original, clique aqui! 🙂

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  1. Posso usar todos os dias?
    Não, o kit “microdermo” não é de uso diário. Ele é um dermoabrasivo, ou seja, um produto que retira as células mortas da pele e age profundamente até a derme. O uso diário pode, então, sensibilizar a pele pois a deixará exposta ao ambiente sem proteção natural. O recomendado é de duas vezes na semana, mas há quem faça três e há quem, como eu, faça uma por ter a pele mais sensível.
  2. O produto também serve para clarear marcas de espinhas?
    O produto não é um clareador em específico, para tal a Mary Kay tem produtos como o Even Complexion. No entanto, da mesma forma que ocorre com qualquer outro peeling, incluindo os químicos, a constante renovação celular ameniza as marcas e manchas menos profundas da pele. Como diz a descrição do produto:
    “Reduz a aparência dos poros, pois efetivamente remove as células mortas que se formam naturalmente dentro e ao redor de cada poro.” Da mesma maneira, ele remove as demais células mortas do rosto e acaba por, aos poucos, diminuindo a extensão das marcas.
    Ele só não é indicado para quem está sofrendo com acne grau 2 ou mais no momento, ou seja, quando as espinhas estão inflamadas, com pus aparente, pois a fricção pode espalhar a inflamação e causar dor.
    As ressalvas do produto são:
    “Não use em combinação com nenhum outro produto esfoliante, incluindo aqueles que contem Retinol, Ácido Glicólico, Ácido Láctico, esfoliantes químicos, e/ou medicamentos para acne. Não aplique sobre áreas irritadas ou sensíveis.”
  3. Sendo um produto anti-idade, ele contém ácido?
    Não. O produto funciona  partir da remoção das camadas mais superficiais da pele, penetrando até a derme, tratando com os compostos anti-idade da linha TimeWise. Você aplica na pele limpa e molhada e faz movimentos circulares, concentrando-se onde você tem mais “problemas” na pele, como irregularidades, poros dilatados e etc. Os principais pontos positivos são exatamente o fato de não ter ácido, o que não impossibilita que você pegue sol, além de ser um produto com um custo benefício incrível.
  4. Como gestante, posso utilizar o produto?
    Sim, no entanto, não é indicado o uso do produto por gestantes devido à sensibilidade que normalmente ocorre no período da gravidez. Segundo esteticista, o produto não tem componentes químicos que sejam contra-indicados, mas acaba sendo “muito forte” devido aos componentes físicos, que fazem o peeling em si, e pode deixar irritada a pele sensibilizada devido a grande quantidade de sangue fluindo. O produto não contém ácidos, mas contém parabenos, que são considerados os vilões do momento.
    Eu sugiro que você pergunte ao seu médico.
  5. Qual a composição do produto?
    Passo 1: ÁGUA, ALUMINA, BUTILENO GLICOL, CICLOPENTAS-SILOXANO, POLIISOBUTENO HIDROGENADO, GLICERINA, MIRISTATO DE MIRISTILA, ESTEARATO DE GLICERILA, CICLOHEXASSILOXANO, ESTEARATO DE PEG-100, DIMETICONA, ÁLCOOL CETEARÍLICO, ÁLCOOL CETÍLICO, PROPILENO GLICOL, CAFEÍNA, ÁLCOOL BENZÍLICO, ESTEARET-20, ESTEARATO DE SÓDIO, ESTEARATO DE POTÁSSIO, TRIETANOLAMINA, LAURATO DE MIRISTILA, DIAZOLIDINIL URÉIA, EDTA DISSÓDICO, POLISSORBATO 60, CARBÔMERO, DIÓXIDO DE TITÂNIO (CI 77891), METILPARABENO, CICLOTETRASSILOXANO, PROPILPARABENO.
    Passo 2: ÁGUA, GLICERET-26, ISODODECANO, DIMETICONA, PROPILENO GLICOL, GLICERINA, MICA(CI 77019), POLIACRILAMIDA, NITRETO DE BORO, DIÓXIDO DE TITÂNIO(CI 77891), ISOPARAFINA C13-14, TRIETANOLAMINA, PANTENOL, DMDM HIDANTOÍNA, EDTA DISSÓDICO, LAURATO DE PEG-4, ALANTOÍNA, CARBÔMERO, LAURET-7, EXTRATO DA FOLHA DE CAMELLIA SINENSIS, POLIACRILATO DE GLICERILA, FENOXIE-TANOL, ACETATO DE TOCOFERILA, BUTILCARBAMATO DE IODOPROPINILA, METILPARABENO, CICLOPENTAS-SILOXANO, ÁCIDO ASCÓRBICO, CICLOHEXAS-SILOXANO, PEG-75, PEG-150, EXT. VIOLETA 2, PEG-8, CETIL DIMETICONA, PROPILPARABENO, CI 17200.

😉

P.S.: Mais Mary Kay? Kit Mãos de Seda, Base Líquida TimeWise.
Sephora_Sephora Mimos

 

Pele, Cabelos e Corpo na Gravidez e Pós Parto

Gravidez

Se tem uma coisa que eu muito ouvi no início da gravidez foi sobre as mudanças que ocorreriam. Cada mulher me dizia uma coisa: “Gravidez de menina te deixa feia.”; “Gravidez de menina te deixa linda.”; “Sua pele vai ficar horrível.”; “Seu cabelo vai ficar incrível.”. Pois bem. É minha vez de dizer o que aconteceu de verdade!

Logo que engravidei, notei algumas mudanças, mas foi no segundo e terceiro mês que elas se consolidaram. Minha pele e meu cabelo deixaram de ser oleosos. Foi o milagre do milênio! Eu cheguei a trocar de produtos de limpeza e hidratação. Passei a utilizar solução micelar (La Roche-Posay) para limpar a pele e hidratante para pele seca (Hydra+, ROC). Eu cheguei a usar Bepantol no nariz e no queixo em alguns momentos do inverno, algo completamente novo para mim! No entanto, em dois momentos eu tive espinhas: no terceiro e sétimo mês de gestação. Além dos produtos citados, eu utilizei o Kit Microdermoabrasão da Mary Kay durante toda a gestação, pois pesquisei ao máximo e não achei nenhuma contra-indicação do produto. A questão do uso dele na gestação é restrita ao fato de ser um produto de atrito, que pode machucar a pele sensível. No entanto, eu passei a fazer bem menos fricção na aplicação. Não tive problema nenhum com o produto em todo esse período.

Meu cabelo também deixou de ser oleoso e eu passei a lavá-lo de duas a no máximo três vezes na semana. Normalmente eu lavava duas vezes na semana e, se preciso, usava shampoo a seco por um dia. No entanto, no segundo/terceiro mês de gestação meu cabelo ficou estranho, parecia que estava sempre com resíduo, como se não conseguisse tirar completamente o condicionador no banho. Já com relação ao ressecamento do cabelo, senti maior necessidade de utilizar óleos finalizadores após secar com secador.

Na pele do corpo eu passei a usar exclusivamente óleo de amêndoa extra virgem, principalmente na barriga. Eu não senti a pele do corpo ressecada então passava óleo nas pernas e braços apenas uma a duas vezes na semana, mas na barriga e nos seios a aplicação era diária e concentrada. No entanto, quando o sétimo mês chegou trouxe com ele algumas estrias. Fiquei chateada, mas sabia que era possível, não é? Passei, então, a utilizar também o creme Luciara, da Bayer, específico para gestantes e estrias. No entanto, foi em vão. O creme não só não preveniu mas também não amenizou, e a embalagem diz fazer ambos. No final da gestação, minha barriga que tanto lambuzei com óleo e creme, ficou completamente marcada de estrias grossas, vermelhas e doloridas. Dá para criar uma linguagem totalmente nova baseada nas marcas na minha pele! >.< Eu sempre tive tendência a estrias, mas imaginava que as estrias já adquiridas na adolescência eram devido a falta de cuidados com a pele, mas pelo jeito o estrago acontece cuidando ou não. É uma questão de pele mesmo! Minha barriga cresceu mesmo a partir da metade da gestação, e no último trimestre cresceu seis centímetros em largura (ao redor da cintura) e sete em “profundidade” (medindo o crescimento do útero em si). É bastante coisa…

Já no pós parto, exatamente uma semana depois de ter o bebê, meu rosto explodiu com “espinhas internas” por todos os lados. Sabe aquelas espinhas que não eclodem mas ficam por dentro da pele, só fazendo volume? Exatamente essas. Na testa, queixo, bochechas e até pescoço. Só o nariz se salvou! Como a amamentação impede o uso dos mesmos produtos que não se pode usar na gravidez, apenas estou lavando o rosto com o Gel de limpeza 3 em 1 para pele oleosa da Mary Kay, com uso eventual do hidratante e spray de vitamina C da The Body Shop.
O cabelo ainda não voltou a ser oleoso e espero que nunca mais volte! 😀 No entanto, por via das dúvidas, cortei o cabelo um dia antes do parto. Ainda bem que deu tempo! Só não deu tempo de fazer as unhas para esperar ela chegar… >.<
Na pele, as estrias continuam vermelhas e ardendo bastante. Agora uso, além do óleo, o hidratante corporal TimeWise da Mary Kay. Já li por aí que é bom usar o Kit Microdermoabrasão nas estrias, mas como meu abdômen ainda dói da cirurgia, acho melhor esperar um pouco para poder fazer pressão no local…

Na gravidez eu tinha um limite de ganho de peso estabelecido: sete quilos. Tudo parecia muito favorável a me manter dentro do limite, mas os últimos meses são realmente complicados tanto fisicamente, pois os exercícios são bem limitados, quanto emocionalmente, e a comida venceu minha força de vontade. Eu não sei quantos quilos ganhei porque não me pesei na semana que ganhei o bebê, mas pelo menos onze quilos eu sei que engordei. No entanto, uma semana depois do nascimento eu já tinha perdido quase tudo que ganhei, faltando apenas dois quilos. Mais uma semana e eu estava de volta ao peso que tinha quando engravidei. Claro, isso sem fazer dieta, embora as “porcarias” estão sendo consumidas em nível mínimo, ou exercícios. Essa foi a perda natural do que realmente saiu com o nascimento mais o que provavelmente se perde amamentando, comendo e dormindo mal, como todo início de vida com um recém nascido…
Eu sinto falta de acordar e fazer os alongamentos e até os exercícios para o parto que eu fazia até algumas semanas atrás. Mas ainda é complicado acordar e não pensar em qualquer outra coisa se não pegar o bebê e amamentar. Lavar o rosto? Fazer xixi? Isso fica pra depois. Tudo fica pra depois! A prioridade é automaticamente ela… Inclusive, escrever os últimos três posts foi uma odisséia de muitos dias, porque os intervalos de folga são muito pequenos. Ainda existe um mundo novo com o qual é preciso me acostumar! 😀

Moral da história: cada organismo é único! O que aconteceu com sua mãe não necessariamente vai acontecer com você. É interessante pesquisar e se informar, mas é importante entender que as experiências são únicas e não se prender ao que aconteceu com outra pessoa…

😉

P.S.: Mais sobre gravidez? O Segundo TrimestreO Primeiro Trimestre.

Relato de Pós Parto: Internação

Como relatado no post anterior, quando cheguei no Hospital Mãe de Deus  em Porto Alegre, RS, para dar a luz, fiquei desapontada com o tratamento na maternidade. Eu não tinha contato prévio com hospital, mas achei de estrema frieza a lida do staff. Antes, eu havia visitado a maternidade, conhecido parte das instalações e tirado dúvidas. No entanto, porque a maternidade estava lotada, não conheci a sala de parto em si, mas me asseguraram que teria acesso a facilitadores como a bola de pilates, a banqueta de parto e etc. Como já disse, não foi assim que aconteceu… Como não tive a experiência completa de um parto natural, me cabe falar dos aspectos pós cirúrgicos do hospital.

Depois da cirurgia, me levaram para a sala de recuperação. Uma sala com várias cortinas, cada uma delimitando um “box”. Fiquei lá sozinha, sem poder me mexer e finalmente caiu a ficha de que minha filha tinha nascido, eu tinha passado horas em trabalho de parto e recém feito meu primeiro procedimento cirúrgico. Chorei com a realização de tudo que tinha acontecido e embora tenha durado horas, o quão rápido pareceu. De repente meu marido chega com a Stella para mostrar aos avós “na janela” da maternidade, que dá para a sala de espera. Quando retornou, a enfermeira mandou ele se trocar e enquanto ele estava fora, ela colocou a Stella no meu peito para mamar. Esse foi o momento mais desesperador da minha noite. Me colocaram um bebê nos braços, no peito, mas eu estava completamente deitada e não conseguia me mexer para acomodar o bebê no seio. Foi horrível e até agora me emociono com o sentimento de impotência de ter aquela coisinha nos meus braços e não conseguir fazer nada do que parece instintivo. Eu chamei a enfermeira porque achei que o bebê estava sufocando. Pedi para ela erguer a cabeceira da cama para eu poder lidar melhor com ela, mas a enfermeira disse que não podia porque eu teria dores de cabeça e tirou ela de mim. Fiquei muito agoniada. É a coisa mais cretina do mundo colocar um bebê ao lado de uma pessoa que quer, mas não consegue se mexer o suficiente para lidar com ele. Meu marido então chegou e ficou com a Stella enquanto eu só podia olhar. Eu odiei o fato de ter dado a luz um bebê o qual não consegui segurar junto de mim quando nasceu, nem amamentar, cheirar, examinar, entender que era meu. Ficamos na sala de recuperação por muitas horas além do que deveria. Eram tantas cesarianas marcadas naquela noite, que não tinha staff para liberar as pessoas da recuperação para o quarto. Foi um tremendo desrespeito. A sala de recuperação é uma bagunça onde você não consegue descansar porque as pessoas conversam, os bebês choram e a cada momento entra um novo pai emocionado com um novo bebê para mostrar na janela e você escuta as pessoas gritando no lado de fora. Não dá para se recuperar de nada nesse ambiente! E quando um bebê chora, os outros acompanham. Meu marido tinha ido comer algo, pois também estava sem comer há quase 24 horas, como eu, e fiquei sozinha. Então, um bebê começou a chorar e a Stella começou a chorar também. Chamei a enfermeira para me entregar ela e a enfermeira resolveu levar ela para tomar complemento no copinho para se acalmar. Quase surtei! Pedi que não levasse porque eu não queria dar complemento, mas a enfermeira nem me respondeu. Fiquei ligando pro meu marido, chorando, me sentindo um ser inútil por ter uma filha e não conseguir impedir que levassem ela de mim. Achei um absurdo a enfermeira dar complemento pra uma criança que nasceu há duas horas, sendo que um bebê pode ficar três dias sem comer e não morrer de fome! Quando meu marido chegou foi direto ver o que a enfermeira estava fazendo, mas ela já tinha dado o complemento e estava colocando mil roupas na criança, pois a sala estava gelada e a roupa que ela estava foi planejada para uma temperatura amena, como me disseram que seria na maternidade. Depois de a criança ser vestida com dois macacões, meias, luvas e toca, a enfermeira resolveu desligar o ar e minha filha, então, passou calor. Ficamos seis horas na sala de recuperação. O previsto eram três. Depois de 24 horas acordados, cansados, depois de um dia como aquele, ainda tivemos que esperar devido a falta de organização do hospital. Além disso, quando íamos para o quarto meu marido descobriu que a central da internação não tinha passado para a sala de recuperação a informação de que ficaríamos num quarto privativo, então quase fomos para um quarto semi-privativo, onde não tem lugar para o acompanhante. Realmente um desrespeito.
Quando finalmente fomos para o quarto, às 2:30h da madrugada do dia 27/01, a enfermeira me disse que eu precisava tomar banho. Sim. Tomar banho. Segundo ela, já fazia seis horas da cirurgia e eu precisava caminhar e tomar banho por causa da anestesia. Eu não conseguia manter meus olhos abertos, concatenar palavras pra que saíssem de forma coerente da minha boca, e a criatura queria que eu levantasse e tomasse um banho. Parecia piada. Eu consegui levantar, mas não conseguia me mexer e ela dizia: “Mas tu precisa tomar um banho!”. Eu disse que se eu me mexesse iria cair de cansaço, porque eu não estava nem enxergando direito. Ela então disse que era melhor não e me deitou de novo. No outro dia, contei o episódio ao médico que disse que aquilo era o mais completo absurdo. Que eu não deveria nem poderia tomar banho antes de passadas 12 horas da cirurgia. Passado isso, eu achei que teria paz, mas ainda veio uma enfermeira falar sobre amamentação e como evitar quedas e outras para me dar remédio intravenoso naquele acesso que me causava dor e preocupação porque parava dependendo de como eu mexia o braço. Quando finalmente pudemos descansar os três, sempre havia alguém entrando no quarto para uma coisa ou outra. E assim foi durante as 48h de estadia no hospital. Além disso, Não tinham deixado lençol ou toalha para meu marido. E ele ainda dormiu sem travesseiro.

Nesse momento eu já podia ingerir líquidos, então pude beber água. Me deram também um suco industrial de maçã. Para meu marido, nada. Graças ao plano de saúde, ele tinha vouchers para usar no restaurante dos acompanhantes por dois dos três dias previstos de internação. Na manhã seguinte, às sete horas já tinha gente no quarto, ministrando remédios, mexendo na Stella, limpando. Uma alegria para quem tinha conseguido dormir às 03:00h. E como dormir com o desconforto de uma cirurgia? E uma sonda? E um bebê que você olha a cada mudança na respiração? E seu marido, que você chama para que lhe entregue o bebê ou coloque o bebê de volta no berço? É muita coisa!

A comida do hospital é exatamente isso: comida de hospital. Durante as 48h de internação o que mais aproveitei foi o café da manhã e da tarde, porque a comida em si me dava repulsa. Eu achei estranho servirem café na maternidade, considerando que cafeína agita o bebê, mas como não existe mais berçário, azar o seu né?!

O tempo que fiquei no hospital foi mesmo ruim. A única coisa legal foi que lhe dão uma lata com shampoo, loção e lencinhos da Johnson’s e um kit da Life com Bepantol Baby, uma pomada para cicatrização e um mini pacote de fraldas. Além disso, você recebe dez fraldas Pampers RN e um pacote de absorvente noturno. Só. Quando o médico me liberou com um dia de antecedência, eu fiquei feliz mas receosa, afinal, ir pra casa nesse estado pós cirúrgico com um bebê novo me deu medo. Mas tirando o remédio na veia, nada no hospital podia ser vantajoso em relação a minha casa. Não houve descanso no hospital. Cheguei às 12:30h do dia 26/01 e saí às 19h do dia 28/01, mas na minha cabeça ainda era dia 25/01, pois eu fui dormir na noite do dia 25 e tudo aconteceu sem parar até ali. Foi em casa que eu notei que já haviam se passado dias.

Com minha experiência, eu sugiro que você possa conhecer os hospitais disponíveis o mais rápido possível. Eu havia lido que o Mãe de Deus era preparado para parto humanizado, mas não é verdade. Nem a estrutura nem o staff tem qualquer noção de parto humanizado. Quando eu disse para a enfermeira que não queria ficar ligada na máquina de monitoramento fetal, ela disse que eu teria que assinar um termo de responsabilidade que dizia que não permiti que elas fizessem o trabalho dela. PQP, né?! Como é que meu médico não me fez ficar amarrada naquilo? E outra, embora eu tenha escrito um Plano de Parto, assim como meu próprio médico, nenhuma enfermeira quis sequer olhar o meu Plano, ou seja, ninguém liga pra você. Você é um problema que tem que ser resolvido e, de preferência, logo.

Com relação ao seu filho, não importa que tenha um nome. Será tratado como RN de FULANA durante toda a internação. Quando entram no quarto perguntam o nome, ninguém lê a placa na porta…

Se você está grávida ou pretende ficar, estude e se informe. Se informe sobre os tipos de parto, sobre o pós parto, sobre a maternidade e a internação. Infelizmente Porto Alegre não tem muita referência em parto humanizado e eu ouvi dizer que o melhor hospital nesse aspecto é o Conceição, o qual atende SUS. Além disso, a encantadora idéia de ter um parto cirúrgico para evitar as dores das contrações é realmente bonito na teoria, pois tenho certeza que é muito melhor você sair caminhando da sala de parto, com seu bebê nos braços, do que passar a próxima semana sem conseguir se mexer de forma natural e sem conseguir cuidar do seu bebê.

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Relato de Parto: 26 de Janeiro de 2016.

Se eu tinha uma certeza ao final dessa gravidez, era a de que minha bolsa não estouraria antes das contrações chegarem. Após ler que apenas 4% das mulheres entram em trabalho de parto antes de completar 40 semanas de gestação e que em apenas 15% das gestações a bolsa amniótica se rompe antes do início das contrações, eu estava certa de que eu não faria parte dessa minoria. Pois eu estava errada.

Com 39 semanas e 5 dias, Stella se anunciou na madrugada do dia 26 de janeiro, com o rompimento da bolsa às 02:45h. Acordei sentindo água entre as pernas e saltei da cama. Fiquei em pé, já recolhendo o lençol e jogando-o no chão sobre a água que ainda escorria perna abaixo. Chamei meu marido e disse: “Acende a luz porque a bolsa estourou!”.

Fui tomar banho e chamei minha mãe avisando que a bolsa havia estourado e pedindo que ela tirasse o lençol do quarto e o colocasse para lavar. Nisso, senti uma incrível vontade de ir aos pés e, durante, a primeira contração. Resolvi pegar a bola de pilates e tomar aquele longo banho o qual recomendam por acelerar ou parar o trabalho de parto (TP), ou seja, se é chegada a hora, o banho longo ajuda. Caso contrário, ele diminui as contrações e finda o TP. Assim que fui para o banho comecei a sentir as contrações. Meu marido ficou comigo anotando o horário para o intervalo das contrações. “03:02… 03:08… 03:11… 03:14h…”. Cada contração durava em torno de trinta segundos e não seguiam um intervalo ritmado. Era o início do TP, como havia lido. E lembro de pensar: “Justo essa noite que eu fui dormir tarde…”. As contrações nunca tinham um intervalo maior do que cinco minutos entre elas e às 05:21h, paramos de anotar.

Às cinco horas da manhã eu liguei para a doula. Eu estava com pena de acordar ela, e ligar para o médico não era opção, porque sei que o procedimento padrão de quando se estoura a bolsa é ir para o hospital, e eu sabia que se fosse para o hospital não poderia estar com a doula, pois meu médico é bastante conservador e não é a favor dessa vertente, então nem falei para ele que havia contratado uma. É importante ressaltar que só tomei a decisão de ficar em casa porque havia feito uma ecografia dias antes na qual a médica disse que o bebê estava bem demais, com bastante líquido em volta e soluçando (se o bebê soluça, significa que não engoliu/aspirou mecônio). Além disso, eu tinha a minha disposição o aparelho de ouvir os batimentos do coração do bebê, então eu  podia monitorar caso houvesse alguma mudança. No telefone, falei para a doula que estava tranquila, usando o aparelho TENS que havia comprado no Mercado Livre para “diminuir” o desconforto da contração (existem artigos sobre o assunto!), e que ela poderia vir para minha casa às sete horas da manhã. Quando ela chegou, tiramos o aparelho e ela e meu marido faziam massagens na lombar no momento das contrações. Em algum momento, minha mãe também se juntou a nós e entrou no rodízio da massagem. A doula também administrava florais, água com mel para não baixar a glicose e até comi um pouco de gelatina. Mas a verdade é que não dá vontade de comer… Eu não sei dizer os horários nos quais as coisas aconteceram pois o tempo se torna algo secundário nesse momento. Foram horas que passaram e eu não senti. Perguntei para meu marido essa questão do tempo e ele também disse que não sabia, que tudo pareceu rápido. Acredito que estar concentrado no processo faz você perder a noção do tempo mesmo.

Uma coisa que me preocupava é que eu tinha consulta com o médico às 9h da manhã. Desde que optei por um parto normal, me informei e resolvi por mim mesma ficar o máximo de tempo possível em casa porque é o lugar onde me sinto mais confortável e acolhida. Tinha certeza que no hospital, por melhor que fosse, não teria a atmosfera segura da minha casa, mesmo se fosse um lugar “humanizado”, o que não era nem um pouco. Então, às 9h meu marido ligou para o médico e falou com a secretária que disse: “O procedimento padrão quando se estoura a bolsa é ir para o hospital. Lá a gestante passa pela triagem e o médico responsável liga para nós com as informações. Assim, o doutor passa para ele o que fazer enquanto ele se desloca.”. OK. Eu resolvi ficar em casa o máximo de tempo que eu achasse plausível. Na pior das hipóteses o médico iria me ligar e me xingar, né?

Nesse ponto do processo as contrações já estavam fortes. Eu já havia começado a chorar e querer que tudo acabasse o mais rápido possível. Cada contração parecia que alguém estava puxando os ossos da minha bacia para lados opostos, sem contar a dor no útero em si e o líquido que escorria perna abaixo. Embora existam várias posições indicadas para o momento da contração, eu me senti melhor sentada na bola de pilates em frente a minha cama. Meu marido me olhava enquanto eu apertava os joelhos dele a cada nova contração e me dizia: “Amor, tu queria entrar em TP e já entrou. Tu queria a experiência. Não precisa levar isso até o fim se tu achar que não vai aguentar…”. Eu realmente achava que não ia aguentar. A doula me dizia que eu precisa encontrar um sentido naquilo para continuar. Qual a importância, para mim, da maneira da Stella vir ao mundo? Eu não consegui achar uma resposta em meio a dor. O mais interessante é que nos momentos entre contrações era como se nada estivesse acontecendo. Não existia dor entre contrações. A pena é que esse momento é curto na maior parte do tempo!

Quando passou das 11h eu resolvi que iria para o hospital antes que o médico me ligasse. Resolvi tomar um banho e meu marido ficou comigo fazendo massagem na lombar durante as contrações. No banho a dor diminuiu bastante, foi como se as contrações tivessem voltado a ser como no início do TP… Saí do banho, coloquei qualquer roupa e fomos para o hospital. Eu, de joelhos no banco de trás, olhando pelo vidro traseiro.

Chegamos no hospital e fui caminhando pelos corredores tendo uma contração aqui outra ali, mas bem mais fracas e espaçadas do que em casa. Chegando na porta do centro obstétrico dei meu nome e já me esperavam pois meu médico já havia ligado para saber de mim, e começaram as más notícias: 1) eu tinha que entrar sozinha e assim permanecer até depois da triagem – triagem necessária para ligarem para meu médico; 2) eu não poderia ingerir nada, nem água; 3) eu precisava ficar sentada em cima da cama com a máquina de monitoramento fetal ligada a mim a todo momento, impedindo que eu me movesse; 4) eu não podia ter acesso a nenhum instrumento facilitador do parto, como a bola de pilates, a menos que meu médico permitisse, o que ocorreria apenas quando ele chegasse.

Bem, eu fiquei bem chateada de estar sozinha. Enquanto eu esperava a triagem, em uma sala onde eu era a única mulher em trabalho de parto, eu tive apenas uma contração e foi quando meu marido entrou para falar comigo, e logo foi mandado embora porque eu ainda não havia sido examinada. A segunda contração foi na sala de triagem quando a médica entrou. Me perguntou quando havia rompido a bolsa e eu menti o horário (assim eu seria xingada, mas ninguém estaria me colocando numa maca e me mandando pra sala de cirurgia…). Ela me perguntou por que eu não havia ido ao hospital e eu respondi: “Não vi razão de vir para o hospital sendo que minha casa é muito mais confortável.”. Ela só me olhou… Examinou e eu tinha sete centímetros de dilatação. Só sete centímetros de dilatação em dez horas de trabalho de parto. Eu não desanimei, mas esperava estar naquela média de um centímetro por hora. Mas pensei: “Vai que agora meu corpo abre super fácil e em duas horas isso tudo acaba, né?!”. A esperança é a última que morre! Meu obstetra certamente me achou “super boa na dilatação”, afinal, pela informação que ele tinha, meu TP estava evoluindo mais de um centímetro por hora. Me colocaram, então, na sala de parto onde meu marido pode entrar e meu TP pode ser retomado. No entanto, eu reclamei com as enfermeiras que não só me amarraram com a máquina de monitoramento como me fizeram segurar os eletrodos, reclamei de não poder ter a bola a minha disposição, de não me deixarem tomar água e do soro que me colocaram e que passou o TP todo (e os dias que se seguiram) me incomodando, porque me foi feito acesso na dobra do braço, então o soro parava e eu tinha que ficar cuidando para não dobrar o braço (por três dias!!!), o que foi bem chato quando estava tendo contrações e me agarrando na cama! Cada pequena coisa que não saía como eu esperava, me tirava um pouco da força psicológica necessária para o momento.

Com a chegada do meu obstetra, fui liberada do monitoramento contínuo e tive acesso a bola de pilates, a qual era minúscula comparada a que eu tinha usado até então e estava um tanto murcha. Sentei na bola ao lado da cama e minha cabeça ficou na altura da cama. Nas contrações eu me agarrava nos ferros debaixo da cama enquanto meu marido fazia massagem na lombar com óleo específico. Eu pedi para que diminuíssem a luz, mas cada vez que alguém entrava, por alguma razão, na sala, acendia todas as luzes, abria a porta e ia embora deixando tudo como estava. Então, meu marido parava tudo, levantava e fechava a porta e diminuía as luzes.

Diferente de casa que eu não tinha noção do horário, no hospital havia um relógio de parede bem na minha frente. De hora em hora o médico vinha examinar a dilatação e a frequência cardíaca do bebê exatamente em um momento de contração. Essa é uma coisa muito chata! Eu havia me preparado para estar na melhor posição possível durante a contração, respirando fundo para diminuir a dor e tentar deixar o corpo fazer o que necessita, mas ter uma contração sentada em uma cama e ainda ter alguém lhe examinando no exato momento tira toda a sua concentração. Nesse momento eu acabava quase que segurando a contração, tamanha era a dor dela quando em cima da cama, e o desconforto do exame naquele momento. Minha tolerância foi diminuindo ao ponto de eu decidir que se às 15h não tivesse chegado a dez centímetros, eu iria fazer uma cesariana. No entanto, embora sem tem chegado na dilatação desejada, continuei. Minha mãe chegou para me ver mas não deixaram ela entrar. Então, a única enfermeira que foi minimamente solidária comigo, chamou minha mãe que ficou ali comigo. Às 16 horas, no novo exame, depois de cerca de duas horas com contrações ritmadas de cinco em cinco minutos, meu obstetra disse que eu permanecia com os mesmo sete centímetros da chegada ao hospital e agora com um edema de colo (inchaço no colo do útero). Quando eu fiz as contas, notei que estava há 13 horas em trabalho de parto e nesse cenário de não evolução. Embora eu tenha me informado que médicos dão apenas 12h para o bebê nascer desde o rompimento da bolsa, mas parteiras seguem outro padrão, eu fiquei receosa em continuar a tentar o parto natural, ainda mais sabendo que o inchaço dificulta a passagem do bebê. O obstetra sugeriu o uso da ocitocina e eu sabia que então precisaria de anestesia. Na minha cabeça apenas pensei: “Se é para anestesiar, que acabemos com isso logo.”. Assim, ele começou a ligar para os anestesistas com os quais trabalha e para sua assistente. Chorei, olhei para meu marido e perguntei se me amaria mesmo assim… Ele riu e disse que me amaria se eu tivesse decidido pela cesariana na primeira hora do TP. Minha mãe me abraçou e disse que estava muito orgulhosa de mim. A partir daquele momento, eu só queria que as dores parassem. No entanto, não é porque você opta pela cesariana em meio ao TP que seu corpo pára, não é? As contrações continuaram ritmadas de cinco em cinco minutos, mas na minha cabeça, no período da decisão até a sala de cirurgia, o que durou uma hora e meia, eu tive umas três contrações. Até pensei que o poder psicológico era algo incrível, pois eu tinha conseguido parar as contrações. Meu marido disse que eu sonhei tudo isso, porque elas continuavam ritmadas, a diferença é que eu dormia no intervalo entre elas!

Finalmente o anestesista chegou e me encaminharam para a sala de cirurgia. Eu senti um misto de alívio e decepção, mas já haviam me dito que quando o assunto é parto, nós genitoras temos pouco controle sobre o desfecho. Assim que entrei na sala, o médico me colocou em posição para a anestesia, a qual é um pequeno incômodo, principalmente a medida em que o líquido entra no corpo, mas nada demais quando você já sentiu contrações. Me deitaram o mais rápido possível antes de eu não poder fazer por mim mesma e logo começaram a perguntar sobre o que eu sentia e onde. Não demorou muito para eu deixar de sentir o peso da barriga. Foi um alívio! Acho que em questão de dois minutos eu já não sentia o movimento em si, mas sentia que estavam mexendo em mim. Eu ainda perguntei pro anestesista se eu ia começar a enxergar duendes e unicórnios, mas ele disse que não, e disse: “Ué? Tu tem que ver teu bebê nascer!”. Eu não tinha pensado nisso… Haha! Logo meu marido sentou junto de mim e começaram o procedimento. Eu sentia o cheiro de carne queimada a medida que o bisturi elétrico cauterizava o corte que fazia, mas fiquei conversando com o anestesista e fazendo perguntas… De repente vi o Leandro se levantar, olhar por cima do lençol e começar a chorar. Ouvi o médico elogiando a bela circular de cordão da Stella… Ouvi ela chorando… Tudo parecia muito fora da realidade. De repente mostraram ela para mim e a colocaram enrolada em cima do meu peito, mas o espaço era tão pequeno que eu tinha medo de me mexer. Apenas toquei no rosto dela e fiquei meio atônita e até perguntei: “É minha mesmo? Saiu de mim?”. A pediatra riu e disse que sim. Eu não sabia o que fazer, mas fiquei com muito medo de tentar pegar ela e deixar cair por algum efeito da anestesia. Então deixei ela ir com o Leandro e a pediatra para os exames, testes, pesagem e etc. Agora eu penso que deveria ter tentado ficar mais com ela, mas não sei qual o procedimento, afinal, tinha um buraco aberto na minha barriga e eu não sei o que eu deveria ou não fazer. Enquanto ela estava longe fiquei conversando com os médicos, perguntando se finalmente poderia comer sushi e coisas do tipo. Eu confesso que me diverti durante a cirurgia…

Acredito que precisei da cesárea porque a Stella não estava encaixada. Embora todos os exercícios que fiz para o encaixe do bebê, ela não encaixou e provavelmente só o faria na fase expulsiva. Talvez a falta de encaixe tenha sido a razão da pouca evolução na dilatação, pois eu acredito que a cabeça encaixada ajude a pressionar o colo do útero, não é? Como ela nasceu com a cabeça levemente pontuda, acredito que ela estava encaixando durante o TP. Também acredito que a falta de evolução no TP desde a chegada no hospital tenha um fator psicológico imenso. A simples troca de um ambiente acolhedor, com pessoas que você confia, para um ambiente hostil como o de um hospital, onde ninguém liga para você é você é só “mais um”, certamente mexe com a sua segurança. Eu acredito que se, ao menos, minha doula pudesse estar comigo na sala de parto as coisas teriam sido um pouco diferentes. Mas eu não quis me indispor com meu médico… No entanto, a sala de parto é um lugar frio, nenhum pouco acolhedor. Se você tiver que ir para o hospital sozinha, a sala de parto é um ambiente desumano. Meu médico só entrava ali para me examinar e em nenhum momento ele ficou ali, deu uma dica de posição ou o que. Os médicos realmente não sabem lidar com pessoas.

Embora no momento da dor das contrações a cesárea tenha parecido uma boa idéia, no decorrer do tempo eu notei que não foi. Primeiro, acho que a sensação de sentir seu bebê saindo de você seja algo transformador. Quando eu vi a Stella, tirada de mim, não parecia que era algo que estava dentro de mim. Parecia um presente que alguém me deu… Por muitos dias depois do parto eu tinha essa sensação estranha de que eu ia ter que devolver ela para alguém, como se ela não fosse minha de verdade. Eu acho que essa sensação é fruto da cirurgia, porque o bebê não sai naturalmente de você, ele é extraído!
Eu tento não me sentir mal pelo desfecho do nascimento da minha filha, mas agora eu enxergo ainda mais a importância do parto natural na vida de uma mulher. Eu respeito as mulheres que escolhem marcar data para a cirurgia do nascimento do filho, mas não entendo. Embora eu seja uma pessoa que presa por controle, a vida não pode ser controlada. Não cabe a nós escolhermos a hora para o início da vida, nem a forma. Geramos um ser humano, damos a luz a um ser que terá personalidade própria e suas próprias escolhas. Nada mais natural do que deixar que ele escolha como e quando quer vir ao mundo. Passaremos os próximos 18 anos tentando fazer suas escolhas por ele, com a desculpa de proteger e mostrar o melhor caminho. Então, por que negar a ele a primeira escolha que pode fazer sozinho, a de como começar sua vida?

Stella

O Terceiro Trimestre

Terceiro Trimestre

O terceiro trimestre engloba desde a semana 28 até o nascimento do bebê. É o período de maior mudança e ansiedade, na minha opinião. É nesse momento que temos que ter tudo “resolvido”: o chá do bebê, preferências de parto, hospital, pediatra, quarto, roupinhas, acessórios necessários, lembrancinhas, enfeite de porta para a maternidade… Ou seja: TUDO! É o momento de deixar tudo pronto para a chegada do bebê! Se você marcou uma cesárea, você tem a “vantagem” de saber o dia certo que seu bebê estará em seus braços – deixando de lado os imprevistos partos prematuros! Mas se você, como eu, escolheu deixar a natureza seguir seu curso e seu bebê decidir quando quer vir ao mundo (sim, pois não se engane: você não tem controle sobre esse “querer”!), suas últimas semanas de gravidez podem se tornar um momento de muita angústia.

Resolvi escrever sobre esse período nessa minha “última semana”, semana 39, pois acredito que depois ficará ainda mais complicado! Haha. Além do mais, nesse momento está tudo pronto e tudo o que tenho a fazer é me distrair, pois já entendi que ela virá quando decidir, o que, ao que parece, não será tão cedo… Stella não está “encaixada”, ou seja, não está pronta para nascer. Quando o bebê encaixa na pélvis, sua cabeça fica “presa”, o que dificulta tanto seus movimentos quanto os da mãe. É comum que isso ocorra a partir da semana 36 quando se espera o primeiro filho, mas é sabido que o bebê pode encaixar só no momento das contrações. No entanto, médicos usam do argumento “bebê não encaixado” para levar você a fazer uma cesárea. Respire e SEJA FORTE! Tenho a impressão que a mão dos obstetras clama por um bisturi. Que dificuldade de deixar a vida acontecer! Eles fazem partos a vida toda. Nós, provavelmente teremos um ou dois partos na vida. Acho muito injusto que eles queiram lhe dizer como seu bebê deve nascer, afinal, é algo único e muito importante para você. Para eles, é mais um. Mas não vou entrar a fundo nessa conversa porque ela me deixa triste, na verdade. Vamos adiante!

Nesses três meses eu foquei mesmo no que precisava. Montamos os móveis, pintamos o quarto, decoramos o quarto, compramos e ganhamos o que precisávamos, fiz algumas coisas eu mesma, como a caixinha onde ficarão o algodão, cotonete e tal, lavei as roupinhas de tamanho RN e P, conheci a maternidade, me informei quanto ao parto e aos cuidados com o recém-nascido (não fiz curso prático), tirei fotos da gestação com 29, 32 e 36 semanas (não deixem pra depois disso! 36 semanas já estamos grandes demais, então aconselho tirar fotos por volta da semana 34…). As fotos tiradas com 29 semanas foram “presente” da fotógrafa, com 32 tirei algumas eu mesma e com 36 fiz um pacote de fotos. Todas “vestida” e a maioria com meu marido, porque não gosto das fotos da barriga em si e acho que o momento é dos dois… Além de ter deixado tudo pronto em casa, desde que vim para Porto Alegre as malas para a maternidade já estão prontas, o quarto em que moraremos no primeiro mês do bebê está quase arrumado – digo quase porque sempre tem uma baguncinha! E só falta instalar o bebê conforto no carro.

roupinhas

Nesses últimos três meses a minha barriga virou algo gigante. Em um momento eu cheguei a olhar minhas fotos antigas porque eu precisava lembrar de como era a vida sem essa barriga, lembrar de que não foi sempre assim… No entanto, agora sei que vai ser estranho sair de casa um dia carregando essa barriga e voltar carregando um pacotinho nos braços! É estranho dizer isso, mas recém acostumei com essa coisa imensa que carrega uma coisinha que se mexe o tempo todo! Acho que sentirei saudades! Haha. O chato foi que com a barriga vieram as estrias. O terceiro trimestre foi coroado com muitas estrias. Independente do óleo de amêndoas extra virgem e do creme Luciara, as estrias apareceram “a galope”! Um dia tinha uma, depois outra… Hoje, toda a parte inferior da minha barriga está tomada de rastros vermelhos largos e doloridos. Dá para desenvolver uma língua como braile a partir dali, tenho certeza! No entanto, já não me incomoda mais. Acredito que me incomodaria mesmo se houvessem estrias na região superior, aí sim, a coisa ia ficar muito triste pra mim. Já meu marido diz assim: “Olha pelo lado positivo… Na próxima gravidez nem vai ter como piorar!”. :/

Nesse trimestre também senti as dores da lombar. Pude notar no espelho minhas costas mudarem e ao caminhar, principalmente nesse último mês, sinto como se houvessem dois cabos me puxando em sentidos opostos: um cabo puxa a barriga para frente e outro puxa o “bum-bum” pra trás. Sem contar as pernas! Tenho a sensação de que existe um “alargador” entre minhas pernas, na bacia ou na pélvis, que impede que eu ande com as pernas fechadas e em linha reta. Eu dou passos para os lados, o que faz o andar ficar ainda mais devagar do que o de costume. E sentar e levantar? Nossa! É uma peso… E virar na cama? Bah! Para me virar durante a noite eu preciso sentar na cama, rearranjar os travesseiros, virar e deitar. E nisso as pernas estralam os ossos… Algo que notei que passou a ocorrer nesse último trimestre.
Acordo cerca de duas vezes para ir ao banheiro na madrugada e aproveito para virar para o outro lado na volta. Não lembro mais como é dormir de bruços ou de barriga para cima. MESMO.

Quanto a comida, não notei grande diminuição na quantidade ingerida desde o último trimestre. Inclusive, passei a tomar mais líquidos com a refeição, então… Sei lá! O que notei foi a imensa vontade de sorvete a medida que o calor chegou pra ficar. E com ele, vieram os inchaços. Existem dias que não é possível saber onde minhas pernas terminam e começam os meus pés. Classifico os dias em “dias com e sem tornozelos”. É uma realidade, mas não posso reclamar porque isso passou a ocorrer só depois do Natal, quando parei de fazer as drenagens linfáticas. Recomendo muito que se faça!

Esse período foi bastante complicado emocionalmente. Uma verdadeira montanha russa! Nesses últimos dias tenho chorado bastante pois minha gata está muito doente e internada numa clínica veterinária. Como ela corre risco de morte, estou bem chateada porque não quero perder uma filha pra ganhar outra, não é? Mas, como o nascimento, a morte também não está nas nossas mãos. Só queria que tudo desse certo para eu ter minha gatinha e minha estrelinha comigo! Eu não entendo porque minha gatinha ficou doente sendo tão nova e bem cuidada, mas me dizem que muitas vezes nossos pets adoecem porque manifestam algo negativo que deveria vir para o dono… :(. Não é um alívio, mas é bonitinha a idéia de que nossos bichinhos nos “salvam” de adoecer, não é mesmo?

Stella tem aproximadamente 49cm e 3,600kg no momento. Na última ecografia ela soluçou, sorriu e fez biquinho. A médica que fazia a ecografia me disse que ela está muito confortável lá dentro, pois a placenta está saudável e tem bastante líquido. Inclusive, o fato dela soluçar é muito bom, pois isso indica que não há problemas como a ingestão de mecônio. Enquanto ela soluçar, eu não preciso me preocupar com o tempo que ela vai ficar aqui dentro. Disse também que embora não encaixada, a cabeça tem um tamanho que não é problema para encaixar, só que se ela for nascer com 41 semanas, por exemplo, ela vai ter quase 4kg e isso, bem, isso pode ser um problema para mim, não é?! Haha.

Agora que praticamente só falta esperar, eu fico fazendo exercícios na bola de pilates, vejo tv, passeio no shopping – bom lugar para andar já que tem ar condicionado! e fico driblando o médico e sua vontade de fazer cesárea. Essa é a parte mais estressante e é muito chato você ter que se preocupar com isso nesse momento. Embora ele tenha parecido muito “de boa” com relação ao meu parto natural, eu temia que em algum momento ele iria fazer a clássica pressão para cesárea, ainda mais que a Stella tem chances de nascer só no Carnaval, quando ele sai de férias. Então, minha dica é que você encontre um médico (preferencialmente médica porque acredito que seja mais fácil para ela compreender suas vontades) que esteja alinhado com seus pensamentos para que não haja essa certa desconfiança quando a hora chegar. Por mais que eu já tenha dito que vou esperar entrar em trabalho de parto e então como ela nascer será escolha dela, eu fico angustiada de ir na consulta semanal e ouvir que deveríamos marcar uma cesárea porque ela não vai encaixar ou o que for. Pesquisando eu descobri que apenas 4% das mulheres entram em trabalho de parto antes da 40 semana (fonte: BBC) e que em apenas 15% dos casos a bolsa se rompe antes do trabalho de parto já ter iniciado. Isso significa que estamos mesmo trazendo ao mundo bebês que não estão prontos para nascer e não lhes damos a chance de romper a barreira inicial da vida: o nascimento. Além disso, eu acredito que o trabalho de parto seja uma experiência única e transformadora na vida de uma mulher. Acredito que é uma dor que cura nossa alma e nos prepara para encarar tudo por aquele ser que agora comanda nossa vontade. A dor faz parte da vida, nos ensina e nos fortalece, então não entendo porque se tem tanto medo da dor… Vivemos numa cultura em que só o prazer é válido e estamos nos distanciando da realidade da vida: um equilíbrio de dor, alegria, prazer e sofrer. Se não se conhece um, como se reconhece outro?

Enfim! Quanto ao peso, é verdade que já passei da meta dos sete kilos e eu não ligo mais para o número que vejo na balança. Tirando minha mãe que se preocupa em eu estar pesada demais para fazer força (o.O), as pessoas todas dizem que mais da metade do peso se perde nos primeiros dez dias e o resto vai embora com a amamentação. OREMOS! Uma coisa é certa: Stella adora sorvete! 😀
A verdade é que a gente pode encanar com milhões de coisas nessa reta final mas é tudo besteira. Nossa mente não tem controle sobre esse momento e quanto mais você deixar as preocupações de corpo, parto, encaixe e amamentação de lado, mais fácil será de sua mente se conectar com seu corpo e deixar o lado ancestral fluir. Afinal, parto é algo que acontece em todos os animais mamíferos e nós somos animais, só que racionais. A vantagem dos animais não humanos nessa hora é que não pensam se dará certo ou errado, pois é algo que precisa acontecer independente de como.

Tenho certeza que não cobri nem metade do que aconteceu nesse período, mas na verdade está sendo um período tranquilo. Descontando os desconfortos normais como dores nas pernas, muitas idas ao banheiro, chutes e mais chutes, palpites alheios e o fato de todo mundo sempre ter uma história sobre parto, amamentação e criação, o resto está sendo quase confortável e me sinto muito bem cuidada e amparada. É impressionante como as pessoas mais variadas se sensibilizam com a chegada de uma criança e é muito bom sentir o amor das pessoas e o carinho que elas desenvolvem por um ser que ainda nem nasceu! Mas o mais legal é você poder compartilhar tudo isso com quem você ama. Embora às vezes você tenha vontade de arrancar a cabeça do seu companheiro, algo muito comum nesse momento e mais ainda no momento do parto, é muito importante que ele seja incluído ao máximo em tudo que diga respeito ao bebê, afinal, é dele também! Embora o foco esteja na mãe e no psicológico da mãe, saiba que o pai também tem angústias e uma delas é o medo de “ficar de fora” da relação mãe e filho, afinal, é você quem carrega por meses, sente os movimentos, se conecta com o bebê o tempo todo… Então lembre de incluir seu companheiro e dividir com ele os momentos bons e não só os ruins! 😉

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Agora é só esperar pra ver o rosto do ser que está para nascer!

😉

P.S.: Mais sobre gravidez? O Segundo Trimestre; O Primeiro Trimestre.