Relato de Parto: 26 de Janeiro de 2016.

Se eu tinha uma certeza ao final dessa gravidez, era a de que minha bolsa não estouraria antes das contrações chegarem. Após ler que apenas 4% das mulheres entram em trabalho de parto antes de completar 40 semanas de gestação e que em apenas 15% das gestações a bolsa amniótica se rompe antes do início das contrações, eu estava certa de que eu não faria parte dessa minoria. Pois eu estava errada.

Com 39 semanas e 5 dias, Stella se anunciou na madrugada do dia 26 de janeiro, com o rompimento da bolsa às 02:45h. Acordei sentindo água entre as pernas e saltei da cama. Fiquei em pé, já recolhendo o lençol e jogando-o no chão sobre a água que ainda escorria perna abaixo. Chamei meu marido e disse: “Acende a luz porque a bolsa estourou!”.

Fui tomar banho e chamei minha mãe avisando que a bolsa havia estourado e pedindo que ela tirasse o lençol do quarto e o colocasse para lavar. Nisso, senti uma incrível vontade de ir aos pés e, durante, a primeira contração. Resolvi pegar a bola de pilates e tomar aquele longo banho o qual recomendam por acelerar ou parar o trabalho de parto (TP), ou seja, se é chegada a hora, o banho longo ajuda. Caso contrário, ele diminui as contrações e finda o TP. Assim que fui para o banho comecei a sentir as contrações. Meu marido ficou comigo anotando o horário para o intervalo das contrações. “03:02… 03:08… 03:11… 03:14h…”. Cada contração durava em torno de trinta segundos e não seguiam um intervalo ritmado. Era o início do TP, como havia lido. E lembro de pensar: “Justo essa noite que eu fui dormir tarde…”. As contrações nunca tinham um intervalo maior do que cinco minutos entre elas e às 05:21h, paramos de anotar.

Às cinco horas da manhã eu liguei para a doula. Eu estava com pena de acordar ela, e ligar para o médico não era opção, porque sei que o procedimento padrão de quando se estoura a bolsa é ir para o hospital, e eu sabia que se fosse para o hospital não poderia estar com a doula, pois meu médico é bastante conservador e não é a favor dessa vertente, então nem falei para ele que havia contratado uma. É importante ressaltar que só tomei a decisão de ficar em casa porque havia feito uma ecografia dias antes na qual a médica disse que o bebê estava bem demais, com bastante líquido em volta e soluçando (se o bebê soluça, significa que não engoliu/aspirou mecônio). Além disso, eu tinha a minha disposição o aparelho de ouvir os batimentos do coração do bebê, então eu  podia monitorar caso houvesse alguma mudança. No telefone, falei para a doula que estava tranquila, usando o aparelho TENS que havia comprado no Mercado Livre para “diminuir” o desconforto da contração (existem artigos sobre o assunto!), e que ela poderia vir para minha casa às sete horas da manhã. Quando ela chegou, tiramos o aparelho e ela e meu marido faziam massagens na lombar no momento das contrações. Em algum momento, minha mãe também se juntou a nós e entrou no rodízio da massagem. A doula também administrava florais, água com mel para não baixar a glicose e até comi um pouco de gelatina. Mas a verdade é que não dá vontade de comer… Eu não sei dizer os horários nos quais as coisas aconteceram pois o tempo se torna algo secundário nesse momento. Foram horas que passaram e eu não senti. Perguntei para meu marido essa questão do tempo e ele também disse que não sabia, que tudo pareceu rápido. Acredito que estar concentrado no processo faz você perder a noção do tempo mesmo.

Uma coisa que me preocupava é que eu tinha consulta com o médico às 9h da manhã. Desde que optei por um parto normal, me informei e resolvi por mim mesma ficar o máximo de tempo possível em casa porque é o lugar onde me sinto mais confortável e acolhida. Tinha certeza que no hospital, por melhor que fosse, não teria a atmosfera segura da minha casa, mesmo se fosse um lugar “humanizado”, o que não era nem um pouco. Então, às 9h meu marido ligou para o médico e falou com a secretária que disse: “O procedimento padrão quando se estoura a bolsa é ir para o hospital. Lá a gestante passa pela triagem e o médico responsável liga para nós com as informações. Assim, o doutor passa para ele o que fazer enquanto ele se desloca.”. OK. Eu resolvi ficar em casa o máximo de tempo que eu achasse plausível. Na pior das hipóteses o médico iria me ligar e me xingar, né?

Nesse ponto do processo as contrações já estavam fortes. Eu já havia começado a chorar e querer que tudo acabasse o mais rápido possível. Cada contração parecia que alguém estava puxando os ossos da minha bacia para lados opostos, sem contar a dor no útero em si e o líquido que escorria perna abaixo. Embora existam várias posições indicadas para o momento da contração, eu me senti melhor sentada na bola de pilates em frente a minha cama. Meu marido me olhava enquanto eu apertava os joelhos dele a cada nova contração e me dizia: “Amor, tu queria entrar em TP e já entrou. Tu queria a experiência. Não precisa levar isso até o fim se tu achar que não vai aguentar…”. Eu realmente achava que não ia aguentar. A doula me dizia que eu precisa encontrar um sentido naquilo para continuar. Qual a importância, para mim, da maneira da Stella vir ao mundo? Eu não consegui achar uma resposta em meio a dor. O mais interessante é que nos momentos entre contrações era como se nada estivesse acontecendo. Não existia dor entre contrações. A pena é que esse momento é curto na maior parte do tempo!

Quando passou das 11h eu resolvi que iria para o hospital antes que o médico me ligasse. Resolvi tomar um banho e meu marido ficou comigo fazendo massagem na lombar durante as contrações. No banho a dor diminuiu bastante, foi como se as contrações tivessem voltado a ser como no início do TP… Saí do banho, coloquei qualquer roupa e fomos para o hospital. Eu, de joelhos no banco de trás, olhando pelo vidro traseiro.

Chegamos no hospital e fui caminhando pelos corredores tendo uma contração aqui outra ali, mas bem mais fracas e espaçadas do que em casa. Chegando na porta do centro obstétrico dei meu nome e já me esperavam pois meu médico já havia ligado para saber de mim, e começaram as más notícias: 1) eu tinha que entrar sozinha e assim permanecer até depois da triagem – triagem necessária para ligarem para meu médico; 2) eu não poderia ingerir nada, nem água; 3) eu precisava ficar sentada em cima da cama com a máquina de monitoramento fetal ligada a mim a todo momento, impedindo que eu me movesse; 4) eu não podia ter acesso a nenhum instrumento facilitador do parto, como a bola de pilates, a menos que meu médico permitisse, o que ocorreria apenas quando ele chegasse.

Bem, eu fiquei bem chateada de estar sozinha. Enquanto eu esperava a triagem, em uma sala onde eu era a única mulher em trabalho de parto, eu tive apenas uma contração e foi quando meu marido entrou para falar comigo, e logo foi mandado embora porque eu ainda não havia sido examinada. A segunda contração foi na sala de triagem quando a médica entrou. Me perguntou quando havia rompido a bolsa e eu menti o horário (assim eu seria xingada, mas ninguém estaria me colocando numa maca e me mandando pra sala de cirurgia…). Ela me perguntou por que eu não havia ido ao hospital e eu respondi: “Não vi razão de vir para o hospital sendo que minha casa é muito mais confortável.”. Ela só me olhou… Examinou e eu tinha sete centímetros de dilatação. Só sete centímetros de dilatação em dez horas de trabalho de parto. Eu não desanimei, mas esperava estar naquela média de um centímetro por hora. Mas pensei: “Vai que agora meu corpo abre super fácil e em duas horas isso tudo acaba, né?!”. A esperança é a última que morre! Meu obstetra certamente me achou “super boa na dilatação”, afinal, pela informação que ele tinha, meu TP estava evoluindo mais de um centímetro por hora. Me colocaram, então, na sala de parto onde meu marido pode entrar e meu TP pode ser retomado. No entanto, eu reclamei com as enfermeiras que não só me amarraram com a máquina de monitoramento como me fizeram segurar os eletrodos, reclamei de não poder ter a bola a minha disposição, de não me deixarem tomar água e do soro que me colocaram e que passou o TP todo (e os dias que se seguiram) me incomodando, porque me foi feito acesso na dobra do braço, então o soro parava e eu tinha que ficar cuidando para não dobrar o braço (por três dias!!!), o que foi bem chato quando estava tendo contrações e me agarrando na cama! Cada pequena coisa que não saía como eu esperava, me tirava um pouco da força psicológica necessária para o momento.

Com a chegada do meu obstetra, fui liberada do monitoramento contínuo e tive acesso a bola de pilates, a qual era minúscula comparada a que eu tinha usado até então e estava um tanto murcha. Sentei na bola ao lado da cama e minha cabeça ficou na altura da cama. Nas contrações eu me agarrava nos ferros debaixo da cama enquanto meu marido fazia massagem na lombar com óleo específico. Eu pedi para que diminuíssem a luz, mas cada vez que alguém entrava, por alguma razão, na sala, acendia todas as luzes, abria a porta e ia embora deixando tudo como estava. Então, meu marido parava tudo, levantava e fechava a porta e diminuía as luzes.

Diferente de casa que eu não tinha noção do horário, no hospital havia um relógio de parede bem na minha frente. De hora em hora o médico vinha examinar a dilatação e a frequência cardíaca do bebê exatamente em um momento de contração. Essa é uma coisa muito chata! Eu havia me preparado para estar na melhor posição possível durante a contração, respirando fundo para diminuir a dor e tentar deixar o corpo fazer o que necessita, mas ter uma contração sentada em uma cama e ainda ter alguém lhe examinando no exato momento tira toda a sua concentração. Nesse momento eu acabava quase que segurando a contração, tamanha era a dor dela quando em cima da cama, e o desconforto do exame naquele momento. Minha tolerância foi diminuindo ao ponto de eu decidir que se às 15h não tivesse chegado a dez centímetros, eu iria fazer uma cesariana. No entanto, embora sem tem chegado na dilatação desejada, continuei. Minha mãe chegou para me ver mas não deixaram ela entrar. Então, a única enfermeira que foi minimamente solidária comigo, chamou minha mãe que ficou ali comigo. Às 16 horas, no novo exame, depois de cerca de duas horas com contrações ritmadas de cinco em cinco minutos, meu obstetra disse que eu permanecia com os mesmo sete centímetros da chegada ao hospital e agora com um edema de colo (inchaço no colo do útero). Quando eu fiz as contas, notei que estava há 13 horas em trabalho de parto e nesse cenário de não evolução. Embora eu tenha me informado que médicos dão apenas 12h para o bebê nascer desde o rompimento da bolsa, mas parteiras seguem outro padrão, eu fiquei receosa em continuar a tentar o parto natural, ainda mais sabendo que o inchaço dificulta a passagem do bebê. O obstetra sugeriu o uso da ocitocina e eu sabia que então precisaria de anestesia. Na minha cabeça apenas pensei: “Se é para anestesiar, que acabemos com isso logo.”. Assim, ele começou a ligar para os anestesistas com os quais trabalha e para sua assistente. Chorei, olhei para meu marido e perguntei se me amaria mesmo assim… Ele riu e disse que me amaria se eu tivesse decidido pela cesariana na primeira hora do TP. Minha mãe me abraçou e disse que estava muito orgulhosa de mim. A partir daquele momento, eu só queria que as dores parassem. No entanto, não é porque você opta pela cesariana em meio ao TP que seu corpo pára, não é? As contrações continuaram ritmadas de cinco em cinco minutos, mas na minha cabeça, no período da decisão até a sala de cirurgia, o que durou uma hora e meia, eu tive umas três contrações. Até pensei que o poder psicológico era algo incrível, pois eu tinha conseguido parar as contrações. Meu marido disse que eu sonhei tudo isso, porque elas continuavam ritmadas, a diferença é que eu dormia no intervalo entre elas!

Finalmente o anestesista chegou e me encaminharam para a sala de cirurgia. Eu senti um misto de alívio e decepção, mas já haviam me dito que quando o assunto é parto, nós genitoras temos pouco controle sobre o desfecho. Assim que entrei na sala, o médico me colocou em posição para a anestesia, a qual é um pequeno incômodo, principalmente a medida em que o líquido entra no corpo, mas nada demais quando você já sentiu contrações. Me deitaram o mais rápido possível antes de eu não poder fazer por mim mesma e logo começaram a perguntar sobre o que eu sentia e onde. Não demorou muito para eu deixar de sentir o peso da barriga. Foi um alívio! Acho que em questão de dois minutos eu já não sentia o movimento em si, mas sentia que estavam mexendo em mim. Eu ainda perguntei pro anestesista se eu ia começar a enxergar duendes e unicórnios, mas ele disse que não, e disse: “Ué? Tu tem que ver teu bebê nascer!”. Eu não tinha pensado nisso… Haha! Logo meu marido sentou junto de mim e começaram o procedimento. Eu sentia o cheiro de carne queimada a medida que o bisturi elétrico cauterizava o corte que fazia, mas fiquei conversando com o anestesista e fazendo perguntas… De repente vi o Leandro se levantar, olhar por cima do lençol e começar a chorar. Ouvi o médico elogiando a bela circular de cordão da Stella… Ouvi ela chorando… Tudo parecia muito fora da realidade. De repente mostraram ela para mim e a colocaram enrolada em cima do meu peito, mas o espaço era tão pequeno que eu tinha medo de me mexer. Apenas toquei no rosto dela e fiquei meio atônita e até perguntei: “É minha mesmo? Saiu de mim?”. A pediatra riu e disse que sim. Eu não sabia o que fazer, mas fiquei com muito medo de tentar pegar ela e deixar cair por algum efeito da anestesia. Então deixei ela ir com o Leandro e a pediatra para os exames, testes, pesagem e etc. Agora eu penso que deveria ter tentado ficar mais com ela, mas não sei qual o procedimento, afinal, tinha um buraco aberto na minha barriga e eu não sei o que eu deveria ou não fazer. Enquanto ela estava longe fiquei conversando com os médicos, perguntando se finalmente poderia comer sushi e coisas do tipo. Eu confesso que me diverti durante a cirurgia…

Acredito que precisei da cesárea porque a Stella não estava encaixada. Embora todos os exercícios que fiz para o encaixe do bebê, ela não encaixou e provavelmente só o faria na fase expulsiva. Talvez a falta de encaixe tenha sido a razão da pouca evolução na dilatação, pois eu acredito que a cabeça encaixada ajude a pressionar o colo do útero, não é? Como ela nasceu com a cabeça levemente pontuda, acredito que ela estava encaixando durante o TP. Também acredito que a falta de evolução no TP desde a chegada no hospital tenha um fator psicológico imenso. A simples troca de um ambiente acolhedor, com pessoas que você confia, para um ambiente hostil como o de um hospital, onde ninguém liga para você é você é só “mais um”, certamente mexe com a sua segurança. Eu acredito que se, ao menos, minha doula pudesse estar comigo na sala de parto as coisas teriam sido um pouco diferentes. Mas eu não quis me indispor com meu médico… No entanto, a sala de parto é um lugar frio, nenhum pouco acolhedor. Se você tiver que ir para o hospital sozinha, a sala de parto é um ambiente desumano. Meu médico só entrava ali para me examinar e em nenhum momento ele ficou ali, deu uma dica de posição ou o que. Os médicos realmente não sabem lidar com pessoas.

Embora no momento da dor das contrações a cesárea tenha parecido uma boa idéia, no decorrer do tempo eu notei que não foi. Primeiro, acho que a sensação de sentir seu bebê saindo de você seja algo transformador. Quando eu vi a Stella, tirada de mim, não parecia que era algo que estava dentro de mim. Parecia um presente que alguém me deu… Por muitos dias depois do parto eu tinha essa sensação estranha de que eu ia ter que devolver ela para alguém, como se ela não fosse minha de verdade. Eu acho que essa sensação é fruto da cirurgia, porque o bebê não sai naturalmente de você, ele é extraído!
Eu tento não me sentir mal pelo desfecho do nascimento da minha filha, mas agora eu enxergo ainda mais a importância do parto natural na vida de uma mulher. Eu respeito as mulheres que escolhem marcar data para a cirurgia do nascimento do filho, mas não entendo. Embora eu seja uma pessoa que presa por controle, a vida não pode ser controlada. Não cabe a nós escolhermos a hora para o início da vida, nem a forma. Geramos um ser humano, damos a luz a um ser que terá personalidade própria e suas próprias escolhas. Nada mais natural do que deixar que ele escolha como e quando quer vir ao mundo. Passaremos os próximos 18 anos tentando fazer suas escolhas por ele, com a desculpa de proteger e mostrar o melhor caminho. Então, por que negar a ele a primeira escolha que pode fazer sozinho, a de como começar sua vida?

Stella

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6 respostas em “Relato de Parto: 26 de Janeiro de 2016.

  1. Que sofrencia Raquel….mas tudo vale como experiencia….mas a bichinha não queria ser apertada e puxada ou empurrada mamãe… Ela queria sair no estilo diva…com uma linda abertura como se fosse as cortinas de um palco…Não procure razões e nem explicações pra sentimentos de mãe, ocorridos durante ou no pós parto, eles não tem coerência, são apenas sentimentos….Nas minhas duas gestações bebê não encaixou …. O primeiro Carlos Henrique estava atravessado e na segunda gestação Benjamin sentado …e minha primeira experiência de cesárea foi tão boa, que nem pensei em mudar na segunda… O médico e a equipe super atenciosos…meu esposo ficou comigo o tempo inteiro, talvez por ser esquema de interior, apesar das deficiências da nossa cidade, tu sabe, esse é um ponto positivo, no hospital todo mundo se conhece kkkk… E penso que tanto optar pela tentativa do parto normal, como escolher a cesárea não é desmerecimento nenhum, é apenas uma questão de perspectiva…. A minha é opte pelo que vai fazer você se sentir melhor e seja feliz com os pimpolhos independente da maneira que vieram ao mundo, por que agora a dança é outra …. Criar. Beijao miguxa.

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  2. Oi Raquel! Parabéns pela chegada da filhota! E parabéns por respeitar a hora que ela decidiu vir ao mundo… isso em nosso pais ja é um grande avanço. Infelizmente os hospitais estão preparados para cesárea, não respeitam e não entendem as necessidades de uma mulher em TP… você teve muita bravura! Agora começa uma nova etapa cheia de desafios! Vai seguir precisando de toda essa bravura. Estamos juntas… se precisar! Beijos

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