O Terceiro Trimestre

Terceiro Trimestre

O terceiro trimestre engloba desde a semana 28 até o nascimento do bebê. É o período de maior mudança e ansiedade, na minha opinião. É nesse momento que temos que ter tudo “resolvido”: o chá do bebê, preferências de parto, hospital, pediatra, quarto, roupinhas, acessórios necessários, lembrancinhas, enfeite de porta para a maternidade… Ou seja: TUDO! É o momento de deixar tudo pronto para a chegada do bebê! Se você marcou uma cesárea, você tem a “vantagem” de saber o dia certo que seu bebê estará em seus braços – deixando de lado os imprevistos partos prematuros! Mas se você, como eu, escolheu deixar a natureza seguir seu curso e seu bebê decidir quando quer vir ao mundo (sim, pois não se engane: você não tem controle sobre esse “querer”!), suas últimas semanas de gravidez podem se tornar um momento de muita angústia.

Resolvi escrever sobre esse período nessa minha “última semana”, semana 39, pois acredito que depois ficará ainda mais complicado! Haha. Além do mais, nesse momento está tudo pronto e tudo o que tenho a fazer é me distrair, pois já entendi que ela virá quando decidir, o que, ao que parece, não será tão cedo… Stella não está “encaixada”, ou seja, não está pronta para nascer. Quando o bebê encaixa na pélvis, sua cabeça fica “presa”, o que dificulta tanto seus movimentos quanto os da mãe. É comum que isso ocorra a partir da semana 36 quando se espera o primeiro filho, mas é sabido que o bebê pode encaixar só no momento das contrações. No entanto, médicos usam do argumento “bebê não encaixado” para levar você a fazer uma cesárea. Respire e SEJA FORTE! Tenho a impressão que a mão dos obstetras clama por um bisturi. Que dificuldade de deixar a vida acontecer! Eles fazem partos a vida toda. Nós, provavelmente teremos um ou dois partos na vida. Acho muito injusto que eles queiram lhe dizer como seu bebê deve nascer, afinal, é algo único e muito importante para você. Para eles, é mais um. Mas não vou entrar a fundo nessa conversa porque ela me deixa triste, na verdade. Vamos adiante!

Nesses três meses eu foquei mesmo no que precisava. Montamos os móveis, pintamos o quarto, decoramos o quarto, compramos e ganhamos o que precisávamos, fiz algumas coisas eu mesma, como a caixinha onde ficarão o algodão, cotonete e tal, lavei as roupinhas de tamanho RN e P, conheci a maternidade, me informei quanto ao parto e aos cuidados com o recém-nascido (não fiz curso prático), tirei fotos da gestação com 29, 32 e 36 semanas (não deixem pra depois disso! 36 semanas já estamos grandes demais, então aconselho tirar fotos por volta da semana 34…). As fotos tiradas com 29 semanas foram “presente” da fotógrafa, com 32 tirei algumas eu mesma e com 36 fiz um pacote de fotos. Todas “vestida” e a maioria com meu marido, porque não gosto das fotos da barriga em si e acho que o momento é dos dois… Além de ter deixado tudo pronto em casa, desde que vim para Porto Alegre as malas para a maternidade já estão prontas, o quarto em que moraremos no primeiro mês do bebê está quase arrumado – digo quase porque sempre tem uma baguncinha! E só falta instalar o bebê conforto no carro.

roupinhas

Nesses últimos três meses a minha barriga virou algo gigante. Em um momento eu cheguei a olhar minhas fotos antigas porque eu precisava lembrar de como era a vida sem essa barriga, lembrar de que não foi sempre assim… No entanto, agora sei que vai ser estranho sair de casa um dia carregando essa barriga e voltar carregando um pacotinho nos braços! É estranho dizer isso, mas recém acostumei com essa coisa imensa que carrega uma coisinha que se mexe o tempo todo! Acho que sentirei saudades! Haha. O chato foi que com a barriga vieram as estrias. O terceiro trimestre foi coroado com muitas estrias. Independente do óleo de amêndoas extra virgem e do creme Luciara, as estrias apareceram “a galope”! Um dia tinha uma, depois outra… Hoje, toda a parte inferior da minha barriga está tomada de rastros vermelhos largos e doloridos. Dá para desenvolver uma língua como braile a partir dali, tenho certeza! No entanto, já não me incomoda mais. Acredito que me incomodaria mesmo se houvessem estrias na região superior, aí sim, a coisa ia ficar muito triste pra mim. Já meu marido diz assim: “Olha pelo lado positivo… Na próxima gravidez nem vai ter como piorar!”. :/

Nesse trimestre também senti as dores da lombar. Pude notar no espelho minhas costas mudarem e ao caminhar, principalmente nesse último mês, sinto como se houvessem dois cabos me puxando em sentidos opostos: um cabo puxa a barriga para frente e outro puxa o “bum-bum” pra trás. Sem contar as pernas! Tenho a sensação de que existe um “alargador” entre minhas pernas, na bacia ou na pélvis, que impede que eu ande com as pernas fechadas e em linha reta. Eu dou passos para os lados, o que faz o andar ficar ainda mais devagar do que o de costume. E sentar e levantar? Nossa! É uma peso… E virar na cama? Bah! Para me virar durante a noite eu preciso sentar na cama, rearranjar os travesseiros, virar e deitar. E nisso as pernas estralam os ossos… Algo que notei que passou a ocorrer nesse último trimestre.
Acordo cerca de duas vezes para ir ao banheiro na madrugada e aproveito para virar para o outro lado na volta. Não lembro mais como é dormir de bruços ou de barriga para cima. MESMO.

Quanto a comida, não notei grande diminuição na quantidade ingerida desde o último trimestre. Inclusive, passei a tomar mais líquidos com a refeição, então… Sei lá! O que notei foi a imensa vontade de sorvete a medida que o calor chegou pra ficar. E com ele, vieram os inchaços. Existem dias que não é possível saber onde minhas pernas terminam e começam os meus pés. Classifico os dias em “dias com e sem tornozelos”. É uma realidade, mas não posso reclamar porque isso passou a ocorrer só depois do Natal, quando parei de fazer as drenagens linfáticas. Recomendo muito que se faça!

Esse período foi bastante complicado emocionalmente. Uma verdadeira montanha russa! Nesses últimos dias tenho chorado bastante pois minha gata está muito doente e internada numa clínica veterinária. Como ela corre risco de morte, estou bem chateada porque não quero perder uma filha pra ganhar outra, não é? Mas, como o nascimento, a morte também não está nas nossas mãos. Só queria que tudo desse certo para eu ter minha gatinha e minha estrelinha comigo! Eu não entendo porque minha gatinha ficou doente sendo tão nova e bem cuidada, mas me dizem que muitas vezes nossos pets adoecem porque manifestam algo negativo que deveria vir para o dono… :(. Não é um alívio, mas é bonitinha a idéia de que nossos bichinhos nos “salvam” de adoecer, não é mesmo?

Stella tem aproximadamente 49cm e 3,600kg no momento. Na última ecografia ela soluçou, sorriu e fez biquinho. A médica que fazia a ecografia me disse que ela está muito confortável lá dentro, pois a placenta está saudável e tem bastante líquido. Inclusive, o fato dela soluçar é muito bom, pois isso indica que não há problemas como a ingestão de mecônio. Enquanto ela soluçar, eu não preciso me preocupar com o tempo que ela vai ficar aqui dentro. Disse também que embora não encaixada, a cabeça tem um tamanho que não é problema para encaixar, só que se ela for nascer com 41 semanas, por exemplo, ela vai ter quase 4kg e isso, bem, isso pode ser um problema para mim, não é?! Haha.

Agora que praticamente só falta esperar, eu fico fazendo exercícios na bola de pilates, vejo tv, passeio no shopping – bom lugar para andar já que tem ar condicionado! e fico driblando o médico e sua vontade de fazer cesárea. Essa é a parte mais estressante e é muito chato você ter que se preocupar com isso nesse momento. Embora ele tenha parecido muito “de boa” com relação ao meu parto natural, eu temia que em algum momento ele iria fazer a clássica pressão para cesárea, ainda mais que a Stella tem chances de nascer só no Carnaval, quando ele sai de férias. Então, minha dica é que você encontre um médico (preferencialmente médica porque acredito que seja mais fácil para ela compreender suas vontades) que esteja alinhado com seus pensamentos para que não haja essa certa desconfiança quando a hora chegar. Por mais que eu já tenha dito que vou esperar entrar em trabalho de parto e então como ela nascer será escolha dela, eu fico angustiada de ir na consulta semanal e ouvir que deveríamos marcar uma cesárea porque ela não vai encaixar ou o que for. Pesquisando eu descobri que apenas 4% das mulheres entram em trabalho de parto antes da 40 semana (fonte: BBC) e que em apenas 15% dos casos a bolsa se rompe antes do trabalho de parto já ter iniciado. Isso significa que estamos mesmo trazendo ao mundo bebês que não estão prontos para nascer e não lhes damos a chance de romper a barreira inicial da vida: o nascimento. Além disso, eu acredito que o trabalho de parto seja uma experiência única e transformadora na vida de uma mulher. Acredito que é uma dor que cura nossa alma e nos prepara para encarar tudo por aquele ser que agora comanda nossa vontade. A dor faz parte da vida, nos ensina e nos fortalece, então não entendo porque se tem tanto medo da dor… Vivemos numa cultura em que só o prazer é válido e estamos nos distanciando da realidade da vida: um equilíbrio de dor, alegria, prazer e sofrer. Se não se conhece um, como se reconhece outro?

Enfim! Quanto ao peso, é verdade que já passei da meta dos sete kilos e eu não ligo mais para o número que vejo na balança. Tirando minha mãe que se preocupa em eu estar pesada demais para fazer força (o.O), as pessoas todas dizem que mais da metade do peso se perde nos primeiros dez dias e o resto vai embora com a amamentação. OREMOS! Uma coisa é certa: Stella adora sorvete! 😀
A verdade é que a gente pode encanar com milhões de coisas nessa reta final mas é tudo besteira. Nossa mente não tem controle sobre esse momento e quanto mais você deixar as preocupações de corpo, parto, encaixe e amamentação de lado, mais fácil será de sua mente se conectar com seu corpo e deixar o lado ancestral fluir. Afinal, parto é algo que acontece em todos os animais mamíferos e nós somos animais, só que racionais. A vantagem dos animais não humanos nessa hora é que não pensam se dará certo ou errado, pois é algo que precisa acontecer independente de como.

Tenho certeza que não cobri nem metade do que aconteceu nesse período, mas na verdade está sendo um período tranquilo. Descontando os desconfortos normais como dores nas pernas, muitas idas ao banheiro, chutes e mais chutes, palpites alheios e o fato de todo mundo sempre ter uma história sobre parto, amamentação e criação, o resto está sendo quase confortável e me sinto muito bem cuidada e amparada. É impressionante como as pessoas mais variadas se sensibilizam com a chegada de uma criança e é muito bom sentir o amor das pessoas e o carinho que elas desenvolvem por um ser que ainda nem nasceu! Mas o mais legal é você poder compartilhar tudo isso com quem você ama. Embora às vezes você tenha vontade de arrancar a cabeça do seu companheiro, algo muito comum nesse momento e mais ainda no momento do parto, é muito importante que ele seja incluído ao máximo em tudo que diga respeito ao bebê, afinal, é dele também! Embora o foco esteja na mãe e no psicológico da mãe, saiba que o pai também tem angústias e uma delas é o medo de “ficar de fora” da relação mãe e filho, afinal, é você quem carrega por meses, sente os movimentos, se conecta com o bebê o tempo todo… Então lembre de incluir seu companheiro e dividir com ele os momentos bons e não só os ruins! 😉

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Agora é só esperar pra ver o rosto do ser que está para nascer!

😉

P.S.: Mais sobre gravidez? O Segundo Trimestre; O Primeiro Trimestre.

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